domingo, 5 de agosto de 2012

"Queres ser médico, meu filho? Essa aspiração é digna de uma alma generosa, de um espírito ávido pela ciência. Desejas que os homens te considerem um Deus que alivia seus males e lhes afugenta o medo. Mas, pensaste no que se transformará a tua vida?

Terás que renunciar à vida privada: enquanto a maioria dos cidadãos pode, terminado o trabalho, distanciar-se dos importunos, a tua porta estará sempre aberta a todos. A qualquer hora do dia e da noite virão perturbar o teu descanso, o teu lazer, a tua meditação; já não terás hora para dedicar à família, aos amigos, ao estudo... Já não te pertencerás.

Os pobres, acostumados a sofrer, chamar-te-ão só em caso de urgência. Mas os ricos tratar-te-ão como escravo encarregado de remediar os seus excessos; seja porque têm uma simples indigestão, seja porque estão resfriados; farão com que te despertes e venhas a toda a pressa, logo que sintam alguma moléstia. Terás que te mostrar interessado pelos detalhes mais comuns da sua existência; terás que lhes dizer se devem comer carne de boi ou peito de galinha, se lhes convém andar deste ou daquele modo. Não poderás ir ao teatro nem ficar doente: terás que estar sempre pronto a acudir, quando chamado.

Eras rígido na escolha de teus amigos. Procuravas o convívio de homens de talento, de almas delicadas e de bons conversadores. Agora não poderás descartar os chatos, os pouco inteligentes, os presunçosos, os desprezíveis. O mal feitor terá tanto direito à tua assistência como o homem honrado: prolongarás vidas nefastas e o sigilo da tua profissão proibir-te-á impedir ou denunciar acções indignas das quais serás testemunha. Acreditas firmemente que com o trabalho honrado e o estudo atento poderás conquistar uma reputação: tem presente que te julgarão, não pela tua ciência, mas pela casualidade do destino, pelo corte da tua roupa, pela aparência da tua casa, pelo número dos teus criados pela atenção que dedicas às conversas informais e aos gostos dos teus clientes. Haverá os que desconfiarão de ti se não usas barba, outros se não procedes da Ásia; outros se acreditas nos deuses; outros se és ateu.

Gostas da simplicidade: terás que adoptar a atitude de um profeta. És activo, sabes quanto vale o tempo. Não poderás demonstrar cansaço ou impaciência: terás que escutar relatos que procedem do começo dos tempos, quando apenas se quer explicar a história de uma prisão de ventre. Os ociosos virão ver-te pelo simples prazer de conversar: servirás de escoamento para as suas mínimas vaidades. Embora a medicina seja uma ciência incerta, que graças aos esforços de seus discípulos vai adquirindo pouco a pouco, um certo grau de certeza, não te será permitido duvidar , sob pena de perderes a confiança que em ti depositam. Se não afirmas que conheces a natureza da enfermidade, que possuis o remédio para curá-la, o povo te trocará pelos charlatães que vendem a mentira que eles necessitam.

Não contes com o agradecimento de teus enfermos. Quando se curam, terá sido por sua própria robustez; se morrem fostes tu o culpado. Enquanto estão em perigo, tratam-te como a um deus: suplicam-te, exaltam-te, enchem-te de elogios. Apenas começam a convalescer, já os estorvas. Quando se lhes fala dos honorários, aborrecem-se e denigrem-te. Quanto mais egoístas são os homens mais solicitude exigem.

Não penses que esta profissão tão dura te tornará um homem rico. Asseguro-te: é um sacerdócio, e não seria decente que tivesses os ganhos de um comerciante de azeite ou de um político.

Compadeço-me de ti se te atrai o belo: verás o mais feio e repugnante que existe na espécie humana. Todos os teus sentidos serão maltratados. Terás que encostar o ouvido em peitos suados e sujos, respirar o odor das pobres favelas, os fortes perfumes das prostitutas; terás que palpar tumores, tratar de chagas verdes de pus, examinar urina, remexer em escarros, fixar o olhar e o olfacto em imundícies, colocar o dedo em muitos lugares.

Quantas vezes, num belo dia ensolarado, ao sair de uma representação de Sófocles, te chamarão para atender alguém acometido de cólicas abdominais, que te apresentará um urinol nauseabundo, dizendo satisfeito: “ainda bem que tive a precaução de não jogar fora”. Recordas então que terás que agradecer e mostrar todo o teu interesse por aquela dejecção.

Até a própria beleza das mulheres, consolo dos homens, se desvanecerá para ti. As verás pelas manhãs, desgrenhadas, desprovidas de maquilhagem, com parte dos seus atractivos espalhados pelos móveis do quarto. Deixarão de ser deusas para se converterem em seres afligidos pela miséria, sem graça. Só sentirás por elas compaixão.

O mundo parecer-te-á um grande hospital, uma assembleia de seres que se queixam. A tua vida transcorrerá à sombra da morte, entre a dor dos corpos e das almas, assistindo algumas vezes ao luto de quem está destroçado por haver perdido o pai, e outras vezes, a hipocrisia daquele que, à cabeceira do agonizante, faz cálculos sobre a sua herança.

Pensa bem enquanto há tempo. Mas se, indiferente à fortuna, aos prazeres, à ingratidão e, sabendo que te verás, muitas vezes, só entre feras humanas, ainda tens a alma estóica o bastante para encontrar satisfação no dever cumprido; se te julgas suficientemente recompensado com a felicidade de uma mãe que acaba de dar a luz, com um rosto que sorri porque a dor passou, com a paz de um moribundo que acompanhaste até ao final; se anseias conhecer o Homem e penetrar na trágica grandeza de seu destino, então, torna-te médico, meu filho."
 
Asclépio ou Esculápio, o deus da medicina.

domingo, 15 de julho de 2012

Ha momentos

"Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre".

Clarice Lispector

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Nao nos contaram

"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada.

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a... vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada 'dois em um': duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos... ter uma relação saudável.

Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.

Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém"


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A vida me ensinou...
A dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir; aprender com meus erros.
Afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas",
embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente,
como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher.
Charles Chaplin

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Frases para refletir...

"O que faço de bom, faço malfeito
Pareço artificial quando sincera
Mera falta de jeito pra viver...
Sou a filha predileta do defeito."

"...Eu sou lúcida na minha loucura, permanente na minha inconstância, inquieta na minha comodidade... Amo mais do que posso e, por medo, sempre menos do que sou capaz... Quando me entrego, me atiro e quando recuo não volto mais."

"Nada tenho a ver com não gostar de mim. Me aceito impura, me gosto com pecados, e há muito me perdoei."

"Tenho juizo, mas não faço tudo certo, afinal todo paraíso precisa de um pouco de inferno!"

"Canso menos, me divirto mais, e não perco a fé por constatar o óbvio: tudo é provisório, inclusive nós."

"Quero o circo todo a que tenho direito: sedução, fantasia, tempo. Quero um romance longo, quero intimidade. Fazer cena de ciúme, terminar, voltar, amar, brigar de novo, telefonar, pedir desculpas, retornar. Amantes bem comportadas são um tédio."

Mas Não se esqueça: "Assim como não se deve misturar bebidas, misturar pessoas também pode dar ressaca."

"Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio."

"Quem inventou a distância nunca sofreu a dor de uma saudade!!!"

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Amizade para sempre

Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um do outro há de se lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade no reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos pra sempre.

Há duas formas para se viver a vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.
 Albert Einstein

domingo, 27 de março de 2011

O amor e a loucura

Havia um tempo, em que as virtudes e os defeitos conviviam normalmente. Os sentimentos todos viviam juntos. Ficavam passeando: a tristeza e a alegria, o desespero e a calma, a maldade e a generosidade, a verdade e a mentira, o desalento e a esperança, enfim, todos os contrários e os iguais.

Então a alegria apareceu e convidou todo o mundo para brincar. O aborrecimento disse que não, porque estava muito chateado; a tristeza disse que não, também, pois estava desanimada, e a alegria ia insistindo. “Vamos brincar! Vamos brincar!”...

Até que a loucura apareceu, e gritando como uma louca, disse: “QUERO BRINCAR! Eu vou brincar sim! Eu escondo meu rosto, conto até cem, e vou encontrar todos vocês em seus esconderijos! EU QUERO BRINCAR!”
E começou a contar como uma louca, enquanto todos iam se esconder: “47, 12, 64, 31, 7, 19, 22... Todos saíram correndo, procurando seus esconderijos, e a loucura contava: “94, 5, 58, 70, 1, 17, 44... ”dúvida não conseguia escolher entre a moita e a pedra. Ficava entre uma e outra, pra lá e pra cá, pensando: “Vou me esconder atrás da moita. Não. Atrás da pedra... Não, da moita ”A vaidade, quando ia atravessar o lago para passar para o outro lado, parou para se mirar em suas águas, e ficou se apreciando. Distraída... A mentira gritou para a loucura ouvir: “Olha, loucura, eu vou me esconder atrás dessa árvore, na margem do lado de CÁ do rio...” E se escondeu na outra margem, do lado de lá do rio. A paixão foi procurar um vulcão para se esconder, e enquanto procurava, foi se machucando toda, foi caindo, foi se arranhando, e já chegou no esconderijo pingando sangue. O amor, com medo de ser encontrado pela loucura, quis se esconder muito bem, e cavou um buraco ao redor de um belo roseiral, fazendo um túnel por debaixo de suas raízes, onde ele ainda colocou pedras para melhor se proteger.

 Até que a loucura finalizou a contagem: “31, 14, 20, 63, 99, 13, 100! ”E saiu desesperada procurando todo o mundo A primeira a ser encontrada foi a dúvida que ficou no meio do caminho, sem se decidir. Logo depois a vaidade, que demorou muito se admirando e não teve tempo de encontrar um bom esconderijo. Logo depois, achou a preguiça e a mentira. Não demorou muito, encontrou a maldade e seguiu os rastros de sangue da paixão, até tirá-la do vulcão. E assim foi descobrindo um a um, em seus esconderijos. Mas ela não se deu conta de que não tinha encontrado o amor.

Então, a traição disse: “Loucura, falta você encontrar o amor. Ele está escondido debaixo do roseiral ”A loucura saiu correndo cavando como uma louca, jogando as rosas para o alto, arrancando suas raízes, desesperada. Mas não conseguia chegar até o amor, por causa das pedras. Então a maldade entregou à loucura uma lança ponte aguda e disse: “Tome, loucura, enfie a lança por entre as pedras, até alcançar o amor”.

E a loucura, fincou 5 vezes a lança, com força e violência, até que ouviu um grito: “Ah, loucura, o que você fez comigo!? “E saindo de dentro da terra, veio o amor, com as mãos cobrindo o rosto, repetindo: “Loucura, o que você fez comigo? ”O amor estava coberto de sangue, com os olhos furados pela lança. Os dois olhos. O amor chorava cego, de dor. A loucura ficou apavorada. Ajoelhou-se diante do amor, pedindo-lhe perdão e dizendo que não queria feri-lo tanto, que não queria ter-lhe feito tanto mal. Ela estava só brincando.E agora, amor, o que eu faço? Me perdoa!

O amor, que perdoa tudo, passou as mãos sobre a cabeça da loucura e disse: “Loucura, mesmo sem ter sido por mal, você me cegou. Eu agora já não posso seguir sozinho. Se você quer me ajudar, vai ter que me guiar.”
E muito tempo se passou. E até hoje é assim: o amor vai seguindo cego, pelo mundo, guiado pelas mãos da loucura.